
Passeio de Maria-Fumaça
Para lembrar os velhos tempos, a ABPF Regional São Paulo oferece, através do Núcleo Histórico dos Transportes, no Memorial do Imigrante, um passeio histórico e turístico em uma composição movida por uma locomotiva a vapor, uma autêntica Maria-Fumaça. Percorre um trecho que pertencia ao Ramal Ferroviário dos Imigrantes, saindo da estação do Memorial, indo até a Rua da Mooca e, na volta, até a entrada da Estação do Brás, retornando ao ponto inicial.
Devido à antiga estação da Hospedaria de Imigrantes, construída no final do século XIX, ter sido demolida no início dos anos 50, e em seu lugar ter sido erguido o atual edifício, não havia o que restaurar. Desta forma buscou-se uma simulação do original, sendo "refeita" a cobertura da plataforma com tesouras de madeira e telhas francesas, além do revestimento da fachada com tijolos "de época", conseguidos em demolições de casas do início do século XX.
Além da locomotiva, há também os carros de madeira da antiga São Paulo Railway (o termo vagão é usado quando se trata de transporte de carga), e carros de aço inox do antigo Expresso Azul da FEPASA, todos recuperados na Oficina de Restauração da ABPF Regional São Paulo. Os carros de madeira são o carro de Bagagem e Correio e Chefe de Trem, de 1914, e dois carros de passageiros, o de Primeira Classe Nº P112, e o de Segunda Classe Nº 288, de 1914 e 1900 respectivamente, onde o visitante poderá ter a sensação de seus antepassados, a bordo do trem.
As principais atrações ficam por conta da Pacific 353, a "Velha Senhora", uma locomotiva a vapor Baldwin de 1927, a maior existente no Brasil, que continua funcionando, capaz de puxar pequenas composições; a Locomotiva Nº 5, outra locomotiva Baldwin de 1922, restaurada em 2000, e a Locomotiva Nº 10, uma locomotiva inglesa Sharp–Stewart de 1867. As duas primeiras trabalharam na Estrada de Ferro Central do Brasil (depois RFFSA - Rede Ferroviária Federal S. A.) e a outra na São Paulo Railway (que passou a se chamar Estrada de Ferro Santos–Jundiaí, e, posteriormente, também incorporada à RFFSA).
O trajeto do trem é de aproximadamente 3.000 metros, no ramal do Memorial, durando cerca de 20 minutos, partindo e chegando a cada 40 minutos (exceto no horário de almoço) na plataforma da estação da antiga Hospedaria dos Imigrantes.
Bonde
A linha de bonde que circulava pela Rua Visconde de Parnaíba, passando em frente à Hospedaria de Imigrantes, funcionou de 18 de outubro de 1902 a 5 de dezembro de 1937, com 5 carros percorrendo quase 9 quilômetros de trilhos. O bonde "Bresser – via Piratininga" percorria ruas históricas de São Paulo. Saindo do Largo do Tesouro, passava pelas ruas General Carneiro, Gasômetro, Travessa do Brás, Piratininga até a Visconde de Parnaíba, virava na Hipódromo e depois Santa Cruz, Bresser, Silva Teles, Maria Marcolina, alcançando a Avenida Rangel Pestana e retornando pela Travessa do Brás, Gasômetro e General Carneiro, voltando ao ponto final/inicial no Largo do Tesouro. O ponto final foi deslocado para o Largo da Sé em 1920.
Em 1937, mais precisamente no dia primeiro de março, ocorreram mudanças no itinerário: da Praça da Sé o bonde percorria a Rua Floriano Peixoto, Ladeira do Carmo e Avenida Rangel Pestana, seguindo depois pelas ruas Piratininga, Visconde de Parnaíba e Hipódromo, pela Ipanema atingia a Bresser, Silva Teles, Maria Marcolina, São Caetano, Cantareira, Itobi, Avenida Exterior, voltando a General Carneiro e Largo do Tesouro. Algumas ruas mudaram de nome, foram interrompidas pelos trilhos dos trens e do Metrô, mas continuam cheias de memórias.
O Bonde Nº 38, – da fábrica inglesa Hurst Nelson, ano 1912 – tipo aberto, que atualmente faz o trajeto Memorial do Imigrante – Estação Bresser do Metrô, por trilhos sobre o leito da Rua Visconde de Parnaíba, foi totalmente recuperado nas Oficinas da Estrada de Ferro Campos do Jordão, de acordo com seus padrões originais: aberto nas laterais, com bancos em madeira de lei reversíveis e capacidade para 35 pessoas. Somente os sistemas de tração e freio foram modificados. Tração: no original ele era elétrica, mas agora é usado um motor à gasolina turbo com 165cv de potência e injeção eletrônica, que aciona uma bomba de vazão variável cujo fluxo de óleo alimenta um motor hidráulico. O motor hidráulico é um dispositivo que recebe um fluxo de óleo sob pressão e transforma em energia mecânica, ou seja "gira um eixo" responsável pelo movimento do bonde. Freio: no sistema de freio foram adaptados dois discos solidários ao eixo e pinças de aplicação automotiva da camioneta C–20, acionado através de pedal, composto por discos, pinças, pastilhas, burrinho mestre e servofreio.
Esse Bonde pertenceu à extinta "The City of Santos Improvements Company" e, posteriormente, à "SMTC – Serviço Municipal de Transportes Coletivos", da cidade de Santos, onde encerrou seus trabalhos em 1962.
Fonte do texto:
http://www.abpfsp.com.br